quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sinfonia do amanhecer

28/05/05 - O dia está cinza e carregado. Nem quente, nem frio. Corre um ventinho suave e pode-se estar de manga comprida, chinela e meia. As árvores meio peladas e desbotadas. Acordo com uma profusão de sons da vizinhança. O samba no rádio do vizinho de trás, que capina o terreno. O mecânico que arrasta ferramentas como alma penada de castelo mal-assombrado e testa o motor de um carro acelerando, num vai e vem ensurdecedor. Passarinhos gorgeando. Cachorros latindo, tanto por perto quanto ao longe. Criançada e carros. Para coroar a sinfonia do bairro, um grande foguetório marca a inauguração de habitações populares. Duzentas e 50 pessoas tiradas da precariedade da beira de um riacho fétido, para dar lugar a uma avenida. Os predinhos são um monumento à precariedade pública.

Segunda caneca de café, carregada de pensamentos, como as nuvens cinzas. Quero ficar recolhida neste sábado e domingo, arrumar a bagunça física ao redor, mas especialmente a mental. Agora passa um pequeno avião e uma moto, dando continuidade à trilha sonora deste sábado de agosto. Uma betoneira recebe, no seu looping, pazadas de areia, brita, cimento...

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